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Campanha de Flávio vê 7 de Setembro como ponto de virada e aposta em ‘fora, Moraes’

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Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) veem na crise envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes uma oportunidade de virar a chave na disputa presidencial. A aposta é que o episódio dê o tom dos atos de 7 de Setembro, agora sob as palavras de ordem “fora, Lula” e “fora, Moraes”.

A retirada do sigilo do relatório da Polícia Federal com informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro ocorreu a seis dias das manifestações bolsonaristas e dá à campanha um novo mote para mobilizar apoiadores. O episódio também ofuscou no noticiário a divulgação de uma reportagem da revista Piauí a respeito de um repasse adicional de cerca de R$ 8,5 milhões feito por Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL) – algo ocultado pelo senador até aqui.

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A campanha do presidenciável do PL já vinha concentrando esforços para transformar o 7 de Setembro em uma demonstração de força nas ruas. Aliados avaliam ter conseguido estancar a sangria provocada pelas sucessivas crises e apostam na data para reagrupar a militância.

As manifestações costumam mobilizar sobretudo o público mais fiel e ideológico, com discursos marcados por críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às urnas eletrônicas.

Para este ano, estão previstos atos nos estados pela manhã. À tarde, Flávio participará de uma manifestação na avenida Paulista ao lado de aliados. Inicialmente, a estratégia era ampliar a presença de líderes evangélicos simpáticos à candidatura, sem concentrar a representação religiosa no pastor Silas Malafaia. Com a crise envolvendo Moraes, porém, a participação de Malafaia está confirmada e ganha novo peso.

Flávio busca repetir fórmula do pai 

A campanha tenta reproduzir a capacidade de mobilização de Jair Bolsonaro nas ruas. Antes da Paulista, Flávio escolheu a praia de Copacabana para lançar sua candidatura, outro palco recorrente de manifestações do ex-presidente. Na ocasião, porém, o público menor rendeu comparações desfavoráveis ao senador.

A avaliação, entre aliados, é que crises como as provocadas pelos vídeos de Michelle Bolsonaro, pelo caso Dark Horse e pela dificuldade de formar uma chapa com partidos de centro já foram superadas. Também pesa para o otimismo o desempenho de candidaturas que, inicialmente, eram vistas como capazes de tirar votos do senador, mas que até agora não “engataram”, como as de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Trackings internos contratados pela campanha indicam uma redução da distância entre Flávio e Lula e alimentam entre aliados a expectativa de aproximação de um empate ainda no primeiro turno. A avaliação interna é que o petista se estabilizou, enquanto Flávio “estancou a sangria” e ainda teria espaço para avançar com o início da propaganda eleitoral.

Os levantamentos públicos, no entanto, mostram Lula à frente. De acordo com o agregador de pesquisas do JOTA, o presidente tem 44% dos votos válidos contra 38% de Flávio no primeiro turno. No segundo, Lula aparece com 52% e Flávio, com 48%.

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31/8) mostrou Lula oscilando de 41% para 39%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, e Flávio caindo de 37% para 33%. O destaque foi o crescimento de Augusto Cury (Avante), que passou de 2% para 11% e se tornou o primeiro candidato alternativo a ultrapassar a barreira dos dois dígitos.

Vice é escalado para avançar no Nordeste

A campanha também deposita expectativas no candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Com atuação no combate ao crime organizado como procurador de Justiça e secretário de Segurança Pública, Gaspar relatou a CPMI do INSS e pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e atualmente investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência.

Depois da recepção considerada positiva de Flávio em Alagoas, reduto eleitoral de Gaspar, o deputado recebeu a missão de ajudar a reduzir a rejeição ao senador no Nordeste, região tradicionalmente lulista. Para isso, foi escalado para intensificar as viagens pela região.

Há, porém, um obstáculo para essa estratégia. Muitos candidatos de centro na região evitam se associar a Flávio no primeiro turno e nacionalizar suas disputas estaduais por receio de perder votos. Foi o caso do próprio JHC (PSDB), candidato ao governo de Alagoas, que, apesar de ter o PL em sua coligação, não participou das agendas do senador no estado.



Fonte: Jota

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