Donos de pequenos negócios no Brasil dedicam, em média, nove horas por semana a tarefas financeiras e burocráticas. Ao longo de um ano, o tempo acumulado chega a 468 horas, o equivalente a quase três meses de trabalho. Obrigações fiscais e tributárias, controle financeiro e emissão de notas fiscais estão entre as atividades que mais ocupam os empreendedores.
Os dados são de uma pesquisa realizada pela Nu Empresas e pela Bridge Research com 1.200 proprietários de pequenos negócios de diferentes regiões do país, incluindo clientes e não clientes do banco digital.
Entre as tarefas que mais consomem tempo, 43% dos entrevistados apontaram o cumprimento de obrigações fiscais e tributárias. O controle de entradas e saídas foi mencionado por 41%, enquanto 40% citaram a emissão de notas fiscais.
O levantamento também identificou diferenças conforme o porte e o segmento da empresa. Os microempreendedores individuais (MEIs) gastam, em média, oito horas semanais com atividades financeiras e burocráticas. Nas micro e pequenas empresas (MEs), o tempo sobe para dez horas.
No comércio varejista, a média chega a 11 horas por semana. Já os profissionais que trabalham em escritórios e consultórios dedicam cerca de oito horas semanais a essas tarefas.
Controle financeiro e conferência de vendas consomem tempo dos empreendedores
Um dos exemplos apresentados pela pesquisa envolve a conferência de vendas realizadas por meio de maquininhas de cartão. O procedimento consiste em verificar se os valores de cada transação foram efetivamente depositados na conta bancária, atividade conhecida como conciliação financeira.
De acordo com o estudo, 30% dos entrevistados apontaram essa conferência como uma das tarefas que mais consomem tempo. Apesar de ser uma atividade operacional, sem necessidade de decisões estratégicas, ela exige atenção e trabalho manual.
O vice-presidente da Nu Empresas, Maximiliano Damian Rodrigues, relatou, em coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira (8), o caso de uma empreendedora que guardava comprovantes de vendas em uma caixa de madeira, separados por dia. Ao final do expediente, ela conferia cada recibo com o extrato bancário para verificar se os pagamentos haviam sido recebidos.
A pesquisa também identificou diferentes métodos utilizados para acompanhar o caixa dos negócios. Enquanto 23% dos empreendedores fazem esse controle em papel ou cadernetas, 53% recorrem a planilhas digitais e 29% utilizam plataformas oferecidas por bancos.
Excesso de burocracia pode limitar o crescimento das empresas
A pesquisa aponta que as tarefas administrativas e financeiras também afetam o planejamento e o desenvolvimento dos negócios.
Para 68% dos entrevistados, a empresa poderia ser mais lucrativa se houvesse menos burocracia. Além disso, 53% afirmaram que o tempo gasto com essas atividades provoca estresse e ansiedade. A mesma proporção declarou que a sobrecarga com procedimentos bancários e administrativos prejudica o foco em estratégia e crescimento.
Outros 45% disseram já ter perdido oportunidades comerciais enquanto resolviam questões financeiras e burocráticas.
Ao serem questionados sobre as atividades que deixaram de realizar nos três meses anteriores à pesquisa por causa dessas demandas, 85% afirmaram ter aberto mão de alguma tarefa importante para o desenvolvimento ou a manutenção do negócio.
O planejamento foi uma das principais áreas afetadas: 37% deixaram de organizar o crescimento da empresa para o ano seguinte. Outros 35% reduziram o tempo dedicado aos clientes atuais, e a mesma proporção deixou de investir em divulgação ou marketing.
Cursos, treinamentos e eventos do setor também foram prejudicados, segundo 33% dos participantes. Apenas 15% afirmaram não ter deixado de realizar nenhuma atividade em razão da burocracia.
Contabilidade ganha relevância na rotina dos pequenos negócios
O volume de obrigações fiscais e financeiras enfrentado pelos pequenos negócios evidencia a importância da contabilidade para a organização das empresas. Além de auxiliar no cumprimento das exigências legais, o acompanhamento contábil contribui para manter os registros financeiros em ordem e reduzir dificuldades na administração das obrigações tributárias.
A necessidade de acompanhar mudanças nas regras fiscais e tributárias também exige atenção dos profissionais da área. Para os empreendedores, contar com suporte contábil pode facilitar o entendimento das exigências aplicáveis ao negócio e o cumprimento de prazos, especialmente diante da quantidade de procedimentos administrativos envolvidos na operação.
O levantamento mostra, ainda, que parte dos empresários utiliza métodos manuais ou planilhas para controlar as movimentações financeiras. Nesse cenário, a organização dos registros e a conferência das informações são pontos importantes para o trabalho contábil, que depende de dados adequados para acompanhar a situação financeira e tributária das empresas.
Com a redução do tempo gasto em tarefas operacionais, os empreendedores poderiam dedicar mais atenção ao planejamento, ao relacionamento com clientes e à expansão das atividades. Para os profissionais contábeis, esse contexto reforça a importância de orientar os clientes na organização das rotinas financeiras e no cumprimento das obrigações, contribuindo para uma gestão mais estruturada dos pequenos negócios.
Com informações c-level Negócios
Fonte: Contábeis